OMEGA CENTAURI, ENXAME GLOBULAR OU GALÁXIA?

Novas imagens obtidas com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble e do Observatório Gemini, no Chile, vieram dar uma nova visão à verdadeira natureza do enxame globular Omega Centauri.
O Omega Centauri é o maior enxame globular no céu, assim como o mais brilhante, podendo mesmo ser observado a olho nú. Este objecto está localizado logo acima do plano da Via Láctea, a 17 mil anos-luz de distância da Terra. No hemisfério Sul, num local desprovido de poluição luminosa, o Omega Centauri pode ser observado com um diâmetro angular aproximado ao da Lua cheia, fazendo deste objecto um dos alvos celestes predilectos para os admiradores do céu nocturno.
As novas observações mostram que o Omega Centauri possui aparentemente um tipo raro de buraco negro, dito "de massa intermédia", no seu centro. Isto implica que provavelmente o Omega centauri não será um enxame globular como se pensava, mas sim uma galáxia anã desprovida das suas estrelas exteriores.
A equipa responsável pela descoberta realizou medições do movimento e brilho das estrelas localizadas no centro do Omega Centauri. Sabe-se que as velocidades destas estrelas estão relacionadas com a massa total do enxame. No entanto, as medições efectuadas revelaram velocidades bastante mais elevadas do que o esperado, considerando a massa estimada pelo número e tipo de estrelas observadas. Isso levou os astrónomos a concluir que terá de haver uma massa extra (e invisível) no centro do enxame, algo que possa justificar as velocidades elevadas observadas, muito provavelmente um buraco negro com aproximadamente 40 mil massas solares.
Para ver uma imagem de grande campo da região em redor do enxame globular Omega
Centauri, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/ome2.jpg
Os novos resultados vieram mostrar também que existe uma gama contínua de massas para os buracos negros - desde os buracos negros supermassivos, passando pelos de massa intermédia e acabando nos com apenas algumas massas estelares.
Antes desta nova observação, os astrónomos possuiam apenas um exemplo de um buraco negro de massa intermédia presente no enxame globular G1, localizado na galáxia de Andrómeda. Acredita-se que a presença destes objectos seja a razão mais provável para as velocidades elevadas das estrelas perto do centro dos enxames. A equipa afirmou que este tipo de buracos negros poderá ser a semente para a criação de buracos negros supermassivos. Isto fornece novas pistas importantes para a compreensão de um dos possíveis mecanismos de
formação destes monstros galácticos.
A descoberta tem também implicações importantes na própria natureza do Omega Centauri. Os enxames globulares possuem até um milhão de estrelas velhas ligadas fortemente por forças gravitacionais e, são encontrados acima ou abaixo do plano de muitas galáxias (incluindo a Via Láctea), numa região designada por halo da galáxia. O Omega Centauri possui várias características que o distinguem de outros enxames globulares: a sua velocidade de rotação é superior à média, a sua forma é bastante achatada e é aproximadamente mais massivo do que outros enxames globulares grandes, possuindo quase a massa de uma pequena galáxia. Para além disso, o Omega Centauri é constituído por várias gerações de estrelas, ao contrário dos enxames globulares típicos que são constituídos apenas por uma geração de estrelas velhas.
O facto de os buracos negros de massa intermédia poderem ser raros e existirem apenas em galáxias anãs que foram desprovidas das suas estrelas exteriores, vem reforçar a ideia de que o Omega Centauri não é um enxame globular mas sim uma galáxia anã que perdeu as suas estrelas exteriores num encontro ocorrido com a Via Láctea no passado.
Fonte: OAL

Do Melhor
Linkk
del.icio.us









