Os Primeiros Astrónomos (parte 3)
Em meados do séc. VII surgiu um império árabe em cujo seio floresceu a astronomia durante séculos. O trabalho de Ptolomeu, foi traduzido em árabe e foi estudado e desenvolvido por astrónomos que realizaram observações mais precisas com instrumentos improvisados.
Os árabes não desenvolveram novas vias, mas durante muitos anos, estiveram na frente das observações do céu em relação aos seus homólogos cristãos. Nos países cristãos, a Igreja adoptou o modelo de Ptolomeu mas centrou a sua atenção na protecção e ampliação do seu poder sobre a teologia, a política e o ensino.
O homem que voltou a pôr a astronomia em marcha foi Nicolau Copérnico (1473-1543). Natural da Polónia, que aliou-se á Igreja para estudar astronomia e matemática revolucionárias. Talvez movido pela insatisfação que sentia ao verificar a artificialidade do modelo Ptolomaico, decidiu revê-lo. Copérnico utilizou na sua teoria as órbitas circulares e epiciclos de Ptolomeu, mas introduziu uma ideia revolucionária ao colocar o Sol no centro do Universo e afirmar que a Terra e restantes planetas se movem à sua volta rodeados por um grande mar de estrelas.
As ideias de Copérnico alastram-se lentamente. Poucos foram os que acreditaram, um dos mais cépticos foi um astrónomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601). Tycho apercebeu-se durante a sua juventude, que as ideias dos antigos sobre a imutabilidade do cosmos estavam erradas e começou a trabalhar nas observações mais exactas jamais realizadas, com o fim de reconstruir toda a astronomia a partir do zero.
O observatório construído na ilha do mar Báltico, Uraniborg (castelo das estrelas), foi a instalação astronómica mais avançada da sua época e nela armazenou desde 1576 até 1597, um tesouro de observações precisas mais completo do que qualquer outro até então. Mais tarde em Praga, desenvolveu um modelo cosmológico que combinava ideias de Ptolomeu e de Copérnico. No Universo de Tycho, os planetas orbitam à volta do Sol, enquanto o Sol gira em torno de uma Terra estacionária.
Apesar da exactidão das observações, o modelo de Tycho, angariou ainda menos partidários que o modelo de Copérnico. Em Praga, Tycho contrata um assistente, astrónomo e matemático alemão Johannes Kepler (1571-1630).
Kepler era um dos seguidores de Copérnico e possuía uma fecunda imaginação matemática, que lhe permitia detectar constantes nos números. Kepler acreditava que estas constantes poderiam revelar os segredos do Universo, porque adjacente a toda a natureza havia harmonias subjacentes que só podiam ser expressas com recurso á matemática.
O grande salto criativo de Kepler consistiu em abandonar os círculos e substituí-los por elipses, que se ajustavam perfeitamente às observações. O carácter elíptico das órbitas é a primeira das três leis do movimento planetário enunciadas por Kepler. Descobriu também que uma linha traçada desde o Sol até um planeta, percorre determinadas áreas a um ritmo regular á medida que o planeta se desloca. A terceira descoberta consagrou-o definitivamente. Consistia em que o quadrado do período orbital de um planeta é igual ao cubo da sua distância média ao Sol.
Dizem as más-línguas que Kepler terá envenenado lentamente Tycho a fim de ficar com os louros das suas descobertas.
Original de:
Marta Santos
(astrónoma)
in "Gazeta de Paços de Ferreira" de 22/03/2007

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