Telescópios
“Os telescópios, cada vez maiores e melhores, são associados a novos instrumentos capazes de “ver” luz invisível. Teorias extraordinárias, respondem a perguntas até agora sem resposta…”
O telescópio é um instrumento que permite aumentar a capacidade dos olhos humanos de observar e estudar objectos longínquos. Esta capacidade deve-se à excelente capacidade de captação de luz dos objectos distantes (celestes ou não), da focalização dos raios de luz numa imagem óptica real e sua ampliação geométrica. Estes podem ser refractores (se usarem lentes) ou reflectores (se usarem espelhos).
O primerio telescópio foi construído e patenteado em 1608 por Hans Lippershey, um fabricante de lentes. No entanto, ele utilizou este instrumento para observações terrestres (observação de pássaros, plantas etc.) e não para observações do céu. Este telescópio era constituído apenas por um tubo e duas lentes. A notícia desta fantástica invenção de Lippershey espalhou-se rapidamente e o astrónomo italiano Galileo Galilei achou que poderia melhorá-lo e utilizá-lo para fazer observações astronómicas. Em 1609, apresentou várias versões do aparelho feitas por ele mesmo. Galileu não hesitou e apontou logo o telescópio para o céu nocturno, sendo considerado o primeiro homem a usar o telescópio para investigações astronómicas. O tipo de telescópio que Galileo fabricou era um refractor, que era mais rudimentar que o par de binóculos mais barato de hoje em dia.
A partir daqui deu-se início a uma nova fase da observação astronómica onde o telescópio passou a ser o principal instrumento, levando ao esquecimento fantásticos instrumentos astronómicos da antiguidade (astrolábios, quadrantes, sextantes, esferas armilares etc.).
Em 1672, um novo tipo de telescópio foi inventado por Isaac Newton, o reflector. Newton substituiu uma lente por um espelho, esta substituição ajudou a evitar os defeitos ópticos bastante prejudiciais. Esta enovação abriu portas para os actuais telescópios reflectores gigantes.
Os telescópios cresceram muito em tamanho e qualidade, no entanto todas as observações eram feitas a objectos que os nossos olhos conseguem ver, mas e a luz que os nossos olhos não vêm?
Nos finais do século XIX, descobriu-se que a luz é apenas uma pequena fracção de toda a energia que a natureza produz. A este conjunto de energias chamou-se de espectro electromagnético. Este compreende todo o tipo de radiação, desde os raios gama (extremamente energéticos), até as ondas rádio no extremo oposto. A faixa de energia que conseguimos ver chama-se visível e encontra-se mais ou menos a meio da escala de energias.
Com esta descoberta, foi desenvolvida tecnologia que nos permite detectar as energias que os nossos olhos não conseguem ver. Assim, nasceu uma nova era de telescópios.

Por exemplo, telescópios para detectarem radiação infravermelha (o telescópio espacial Spitzer) e raios-X (o telescópio espacial Chandra) tornaram-se comuns no final do século XX com o desenvolvimento de sensores digitais que pudessem ser arrefecidos a temperaturas muito baixas. Para a captação energética de microondas e radiofrequência, existem equipamentos chamados radiotelescópios.
Mas não pensem que se desistiu de observar o céu com telescópios que vêm no visível. Ainda há muito por descobrir e por isso, nós astrónomos, contamos com a ajuda (entre outros) do telescópio espacial Hubble e o telescópio VLT.

O Telescópio Espacial Hubble, tem um espelho de 2.4 metros de diâmetro, foi lançado em 1990 e encontra-se em orbita da Terra, para permitir obter imagens (no visível) não distorcidas pelo efeito da atmosfera nem com efeitos de radiação que existe na Terra (por exemplo infravermelho e ultravioleta).
Um dos maiores telescópios do mundo chama-se VLT (Very Large Telescope - Telescópio Muito Grande), não é um nome muito original mas é um forte adversário do Hubble. O VLT apesar de ser um telescópio europeu, foi construído no monte Paranal no deserto de Atacama no Chile. O VLT é constituído por 4 telescópios cada um com um espelho de 8 metros de diâmetro e de 4 telescópios com 2 metros. Estes telescópios pertencem ao ESO (European South Observatory) do qual Portugal também pertence e por isso também tem direito a usá-lo. Uma das instituições portuguesas que utiliza este telescópio para fazer ciência é o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP).
por Marta Santos
in "Gazeta de Paços de Ferreira"
de 23/08/2007

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